terça-feira, 30 de abril de 2013

O Vaidoso Entrevista - Conspiração Alienígena

Boa noite vaidosos, hoje trago para vocês a banda Conspiração Alienígena, uma turma muito boa lá de Olinda que estão há 13 anos na resistência, tocando no cenário underground e fazendo rock para onde forem chamados. As músicas deles estão disponíveis para download no soundcloud, recomendo passarem por lá e sacarem, abaixo está a entrevista que fiz com os caras.





1 – Boa noite Conspiração Alienígena, gosto de começar perguntando sempre o porque do nome da banda, poderia dizer para meus leitores de onde veio a ideia?

- Então, o nome veio do título de uma das musicas nossas “Conspiração Alienígena”. Eu (Gilson-Vocal) particularmente sempre gostei dos temas sobres OVNIS, vida extra terrestre  e teorias conspirativas e etc., veio daí.

2 – Acreditar em vida fora do planeta Terra pode parecer difícil para muita gente, mas essa é a temática que move essa banda, como é aliar essa forma de ver o mundo com o rock?

- Assim, algumas pessoas querem mesmo é escutar a musica e curtir independente do que você tá cantando e tal. Também tem as pessoas que acham engraçado e levam para o lado da brincadeira e há também pessoas que se interessam que querem entender as letras. Pra nós é muito natural juntar essas duas coisas porque são duas coisas que gostamos .

3 – Ouvindo o som de vocês percebi uma influência muito forte do punk de final dos anos 80 e começo de 90, acertei ou existem outras influências? Me diga mais sobre elas.

- Cara, influência é o que não falta, principalmente destas duas décadas 80/90. Ainda hoje escuto Legião Urbana, The Cure, Plebe Rude, Green Day, Pixies, são muitos, tem ainda umas coisas mais pesadas por parte dos outros integrantes.

4 – Algo bem difícil hoje de encontrar é gente interessada em escrever letras politizadas, o que vocês pensam a respeito disso, pois as suas letras trazem isso com muita força.

- A gente procura fazer músicas que falem um pouco de tudo. E essa coisa da consciência, cidadania também nos inspira bastante. Acho que é por aí, se houver inspiração e for natural beleza. Se não for natural é melhor deixar quieto mesmo.

5 – Vi que existem trabalhos registrados em dois cds, como é trabalhar para colocar “na rua” esses cds? O meio independente precisa de que para poder alcançar um maior público?

- Rapaz temos nosso amigo Leo Ramos (baixista da banda) que é nosso especialista em redes sociais, ele quem coloca todo nosso material e administra na Internet, hoje praticamente temos só material Digital  pra baixar, acredito que seja um veículo importante na divulgação da Banda.   Não sou a melhor pessoa pra falar sobre o que a cena independente precisa e tal, realmente não sei, senão os shows da conspiração seriam lotados...rs...

6 – Vocês fazem parte de um movimento muito forte dentro de Olinda, fui até a um show de vocês no Rock in Fred 2 e vi que além do pessoal que produz o público também participa bastante, como é permanecer na resistência?

- Então, é muito massa fazer parte disso, temos 13 anos de banda e tem uma galera nova aí que conhece a banda e canta as músicas e isso é muito gratificante para nós. Saber que a nossa musica atravessou uma década naquele local e a galera antiga e nova curte.

7 – Depois destes dois cds gravados, quais são os projetos futuros?

 - Então, viemos de uma sequência de shows desde o inicio do ano, em março foi nossa última tocada. Demos Uma parada. Para 2013 estamos preparando um CD novo que já tem até título “Contato Imediato”, será em comemoração aos 13 anos de banda, e este CD, diferente dos outros que são Demo, deve ter mais de 10 faixas com musicas novas (2013) e músicas não gravadas. Queremos também produzir um vídeo clipe, já temos algumas ideias e tal. Agora é trabalhar pra fazer um trabalho bem legal, sem pressa e sem “agonia” para ficar o melhor possível.

8 – É uma pergunta que faço a todos os entrevistados: qual o conselho para aqueles que desejam montar uma banda e se aventurar no meio?

 - Cara, acho que primeiramente tem que gostar muito de tocar e tal. Tem que ser uma coisa que o cara curta muito fazer, tem que ser uma diversão, tem que ser “uma brincadeira séria”, porque deve haver seriedade também para a coisa funcionar e  fazer um trabalho legal.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quem são os loucos?



Somos pessoas que temos desejo de fazer o certo e o melhor, poucos são os corajosos a falar abertamente de suas vontades e seus quereres, geralmente esses são artistas, políticos, pessoas bem-sucedidas em quaisquer carreiras que tenham escolhido. Não são pessoas sãs, nem muito fáceis de conviver. Pelo pouco que conheço dos expoentes em suas áreas todos têm muita dedicação ao seu ofício, ou atividade, são profundos conhecedores do campo em que atuam e acima de tudo amam de coração estar ali. Mas a que custo? A custo de relacionamentos pessoais? A custo do amor de um outro ser? Ou sua capacidade de se focar exclusivamente naquilo que ama a cega para outros campos do existir? Não sei exatamente como responder, pois percebo que essas pessoas tem um traço meio doente, algo fora do lugar. Os grandes líderes não eram bons maridos, nem eram socialmente o perfil esperado de uma pessoa, eram destoantes. Isso é virtude ou vício? Depende. Depende de que então? O modelo social vivido hoje é doente, nos prende no trânsito, nos cobra fidelidade e competência em empresas incapazes de reconhecer nosso talento, somos forçados a estar sempre atualizados com tecnologia, notícias e tudo o mais, prega um estilo de vida que nos absorve sem piedade e nos joga dentro de um turbilhão de emoções e incertezas capazes de tirar a sanidade de qualquer um. Então como definir se um novo Luther King ou Jimi Hendrix é um modelo ou atestado de insanidade? Foco é fundamental, porém entregar-se cegamente a algo é saudável? Qual o preço a pagar por seguir nossos sonhos? Estaremos sós no topo? Ou acharemos outro deslocado como nós?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Curta do dia - Slug Invasion

Boa noite vaidosos, trouxe para vocês outro curta metragem que gosto pra cacete, porque traz uma visão bem humorada sobre o espírito militar e como somos territorialistas. O diretor dele usou lesmas como metáfora para o homem e uma velha como símbolo de não importando o tamanho do poder e o tempo que ele vem exercendo sua força, há uma maneira de sacanear com ele e derrubá-lo.

Se divirtam!


quinta-feira, 25 de abril de 2013

1984



Poucos livros são capazes de prenderem minha atenção me fazendo esquecer todas as outras coisas ao redor, obrigações, compromissos e tudo o mais. Este é um deles. É, não disse o nome, mas está no título do post e foi escrito por George Orwell. A história fala de uma sociedade no futuro, no ano de 1984(era futuro para ele), totalmente regulada pelo Estado, completamente hierarquizada, burocratizada e fiscalizadora. Todo mundo é vigiado o tempo todo através de câmeras, microfones, através das outras pessoas. Instituições como família, amizade, escola, trabalho têm uma conotação completamente diferente da forma como usamos. A miséria na alimentação, na bebida, nas roupas, nas casas é algo corriqueiro, tanto que as pessoas nem sentem estarem vivendo neste estado de coisas. a personagem principal é Winston Smith, um trabalhador do Partido, só existe um partido diga-se, que começa a questionar as coisas como elas são e o enredo gira nesse eixo, com a adição de um romance entre ele e uma outra rebelde e até onde isso tudo pode chegar. Se olharmos um pouco mais a crítica do livro é voltada para o comunismo, para o socialismo e essas formas de pensamento pregadoras da igualdade entre as pessoas, mas volta-se também para o consumismo e sua capacidade de degenerar a sociedade, estragar as relações. A forma como o escritor apresenta seus argumentos, a facilidade na narrativa e o alto grau de censura dentro da sociedade criada por ele me fascinaram, pois ele imaginou todo um contexto, uma série de argumentos válidos, capazes de fazer da nossa realidade objeto de análise com uma luz mais intensa. Li em três dias esse livro e leria novamente apreender mais e ter muito mais argumentos para expor.

Obs.: a expressão Big Brother vem desse livro, o programa de entretenimento de massas pegou emprestado o nome de uma personagem.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Como estamos preguiçosos


Estava conversando com um amigo meu que entrou na loucura de ser professor pelo resto da vida e entre os comentários eis que ele me solta essa pérola: um amigo meu, professor de português passou na sala dele de terceiro ano um texto com sete páginas e deu duas semanas para os alunos lerem, um dos meninos levantou e disse com todo o espanto do mundo, “Professor, o senhor é louco? Como é que passa SETE PÁGINAS pra gente ler e dá só DUAS SEMANAS? Isso não é possível, sem condições!”. Talvez você tenha ficado tão surpreso quanto eu, se não ficou é porque achou muito três linhas para continuar lendo e nem aqui está mais. O grande fato é como está comum lermos cada vez menos, a forma como a nova geração lê não tem paciência para ir um pouco mais além no texto, os poucos que têm esse desejo são aqueles destacados dentro das salas de aula, dentro de suas empresas, dentro até dos círculos sociais que frequenta. Mas existe um problema recorrente em pessoas bem informadas, elas não são muito pacientes com os mais “ignorantes”, menos instruídos e isso é um erro tão grande quanto não ter informação, ou você acha que poderia se dar ao luxo de passar o dia lendo se não houvesse alguém “menos instruído” fazendo o trabalho que você não quer fazer? Reclamo aqui da preguiça, aparentemente, generalizada da nova geração, mas tomo cuidado ao afirmar isso dos novos seres que herdarão o futuro(se houver), pelo fato das gerações antigas terem sido prolíficas em gerar pessoas sem nenhum interesse pela informação e com toda a preguiça do mundo para buscar mudanças através do conhecimento. Então a pergunta que deixo é a mesma feita a mim mesmo todos os dias: Essa preguiça de se informar é algo típico da nova geração ou sempre existiu, respeitando as proporções, esse tipo de gente?

terça-feira, 23 de abril de 2013

O Nu Metal não comercial



Para quem não sabe sou fã do movimento nu metal, talvez porque ele tenha acontecido mais ou menos na mesma época de minha adolescência, ou por causa da sonoridade que traz elementos do hip-hop, do rock e da música eletrônica, estilos muito queridos por mim. Das bandas de nu metal que mais gosto está Deftones no topo delas por causa de sua sonoridade única, o vocalista(Chino Moreno) parece uma moça com sua voz sempre sussurrada e um ou outro eventual rasgado acompanhado por um grupo de músicos capazes de fazerem dissonâncias soarem como a melhor das melodias, muito contratempo aliado a pegadas bem pesadas, havia muitos elementos do nu metal ali, mas ela estava um pouco alheia às demais por trazes essa sonoridade esquisita. O porém da banda são as letras, a maioria são depressivas, ou alguém está sempre se fudendo no relacionamento, que não deixa de trazer um pouco de depressão para o ouvinte, talvez por isso ouça menos hoje do que naquele tempo, mas ainda acompanho o trabalho deles. O trabalho mais recente é do ano passado chamado Koy no Yokan que é japonês e andei pesquisando o significado, é algo como Premonição do Amor, as letras trazem a mesma temática de sempre porém a sonoridade está mais amadurecida desde o seu primeiro álbum até agora. Vale a pena conferir essa banda caso você tenha curtido o nu metal da década de 90, muitas bandas daquele tempo já acabaram, mas essas poucas na ativa ainda valem a pena a audição. 



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Esperar é a pior coisa que existe


Afirmação cruel essa de cima, não chega a ser a pior coisa que existe, mas é uma das que mais enchem a paciência do homem que não tem mais com o que se preocupar. A pessoa não está com fome, nem está procurando um lugar para morar, também não precisa se preocupar com emprego, pois sabe que amanhã, ao acordar, tem um lugar para ir chamado de trabalho, ou ocupação. Ele está satisfeito dentro das pequenas coisas do dia-a-dia, não precisa mais de nada, por isso agora ele precisa arranjar com o que se preocupar, inventar sua mais nova fonte de angústia, então ele decide que esperar é a pior coisa que existe, não é a fome nem qualquer outra incerteza dessas dos que ainda estão um pouco mais abaixo na escala social, escala definida arbitrariamente por uns poucos. Esse homem moderno, assim como tantos outros homens modernos antes dele, sabe muito bem que esperar não é essa coisa toda, mas de todas as angústias que ele tem, esperar é a mais nova eleita no ramo das piores coisas. Poderia eleger procurar ou até qualquer outra bobagem dessas, mas cada um com suas prioridades. Dentro da pirâmide das necessidades esperar está abaixo apenas do mais novo gadget, ou do mais novo aparelho tecnológico a venda nas vitrines dessas mega stores.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Filme da Semana - GATTACA



Sou fã de ficção científica, gosto dos possíveis futuros criados na literatura, no cinema e hoje trago para vocês um dos filmes de ficção mais interessante já criado, o nome dele é Gattaca. A história se passa em um futuro onde você pode escolher a composição genética de seus filhos através de clínicas responsáveis por selecionar apenas as suas melhores características, tirando assim doenças hereditárias, traços físicos indesejáveis e o que mais puder imaginar. Nessa sociedade existem dois tipos de pessoas, as concebidas com amor(sexo) e as criadas em laboratório, o primeiro tipo de pessoa é discriminado, sendo considerada incapaz de atividades do alto escalão, ou mais elaboradas, já o segundo tipo de pessoa já nasce com sua profissão definida em seus genes. A personagem principal do filme é interpretada por Ethan Hawke, é um homem gerado através do sexo e por isso mesmo está nos piores degraus da humanidade, porém o seu sonho é viajar ao espaço através de uma companhia chamada GATTACA, mas como fazer isso? Existe uma máfia que aluga genes, portanto toda uma nova vida pode ser comprada, é a essa máfia que a personagem recorre aliando a seu esforço pessoal para conseguir crescer e chegar onde almeja.
Recomendo assistir esse filme por vários motivos, já vi nele questões sociais, vi também questões bem humanas, ligadas ao indivíduo, mas isso é algo para você ver, depois comente aqui quais lições, ou ideias, tirou do filme.

Obs: o significado de GATTACA descobri aqui, segundo esse blog: trata-se da ordenação de uma série de bases azotadas que compõem o DNA, no caso a Guanina Adenina Timina Timina Adenina Citosina Adenina.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quando você cai



Provavelmente já percebeu meu gosto por livros clássicos ao invés dos best sellers, mas todo clássico foi um best seller em seu período, ou quase isso. Portanto o livro de hoje é Paraíso Perdido de John Milton, publicado no século XVII, vem falar justamente da queda de Adão e Eva, ele narra toda a trajetória, desde a criação do mundo até a queda de Lúcifer e como ele tentou os dois primeiros filhos de Deus. A história é conhecida, mais na forma oral que não escrita, portanto a curiosidade de ver uma versão da história contada por fontes não eclesiásticas é muito grande, foi o motivo para eu ler essa obra e não me arrependi nem um pouco. Além desse motivo o outro foi este livro pertencer ao Index Librorum Prohibitorum, ou Index apenas, era uma lista de livros proibidos pela Igreja durante o período de seu domínio ideológico mais forte. Porém tenho uma ressalva, o livro é uma epopeia, sabe como é? Ele é todo narrado em forma de poema, com versos do começo ao fim, vários cantos e toda aquela linguagem clássica. Se você é da geração internet e acha longa quaisquer três linhas não recomendo esse calhamaço de quatrocentas páginas muito bem escritas, narrando toda a tensão de Adão ao precisar decidir entre o paraíso e Eva, mas é lógico que o paraíso era onde estava Eva. A forma como Deus o puniu, mas puniu antes seu filho Caim, e como a expulsão do Paraíso foi doloroso para eles, consequentemente para nós.
Leiam, não se assustem com o tamanho do livro.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Álcool e outra drogas


Ando no meio de gente ligada à música e vejo com muita frequência o consumo de entorpecentes, pois no meio isso é normal. Parei para olhar com mais calma e o uso é derivado de influência da turma de 70, aparentemente eles faziam melhor música depois que estavam chapados e isso mexeu com a cabeça de muita gente, levando muitos a usarem drogas para conseguirem esse estado de libertação, outros viam em seu uso uma forma de contestação, mas olhando com muita calma nossos melhores talentos foram levados justamente por causa do consumo de tanta droga. Então qual foi o benefício? Sabemos o mal causado pelo uso contínuo de tanto tóxico, sabemos as consequências sociais do uso. Talvez tenha neguinho que funcione a base de drogas, crie tendo ela como suporte para a criação. Isso não é de certa forma uma escravidão? Precisar de algo externo a si para criar? Aí podem dizer que tudo que criamos é influência de coisas externas, músicas que ouvimos, exposições que visitamos, etc...faça as contas e me diga, quem causa mais dano? Não sou a favor da criminalização do usuário, nem a favor da liberação de todas as drogas, algumas devem ser retiradas do mercado mesmo pois o dano emocional e familiar é muito maior que o físico, mas sou a favor do uso consciente delas, o homem bêbado não é capaz de produzir, o homem entorpecido por substâncias quaisquer se torna mais fraco para reagir politicamente, para atuar, para argumentar, digo isso porque conheço pessoas fantásticas, de inteligência ímpar, mas quando estão muito travadas não dizem nada que se aproveite. A droga é mais uma ferramenta de quem tem poder, mantém a gente quieto e domesticado, pois não somos acomodados, somos domesticados.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Vaidoso entrevista

Boa noite vaidosos, resolvi ao invés de apresentar a banda com algum comentário meu a própria banda falar e como já ia trazer para vocês a Carvana do Delírio perguntei a Matheus, o vocalista e baixista, se ele concederia essa entrevista, abaixo vocês têm a resposta:

Boa noite Caravana, acredito que boa parte de meus leitores não conheça o trabalho de vocês então gostaria de começar pelo básico: porque o nome Caravana do Delírio?

Começamos a banda muito novos, em 2007, tínhamos 16 anos e ainda estávamos no ensino médio. Lembro que eu e Danilo, que fundou a banda comigo na época, curtíamos muito os primeiros discos do Barão Vermelho com Cazuza. Essa fase do Barão era das nossas maiores referências nacionais de rock de garagem sujão com letras boas, coisa que admirávamos e queríamos fazer parecido. Também tínhamos aquela ideia infantilóide e romantizada da figura do roquestar, de ficar famoso e viver bêbado fazendo merda, que eles também refletiam um pouco. Lendo o Só as mães são felizes, biografia de Cazuza, vi que ele chamava de Caravana do Delírio a veraneio onde passeava com os amigos quando já estava bem doente, saía inclusive acompanhado das enfermeiras. Me chamou atenção o contraste irônico do nome com a situação que ele estava, achei a Caravana do Delírio sonora e divertida, e ela ficou na minha cabeça. Na semana do nosso primeiro show ainda não tínhamos decido como a banda ia se chamar, daí, durante um recreio na escola, o produtor do show ligou pra nós infernizando porque tinha que imprimir os ingressos e pra isso precisava do nome da nossa banda. Depois de muita deliberação desastrosa, sugeri que deixássemos A Caravana do Delírio para depois pensar com calma em alguma coisa melhor, o que obviamente não aconteceu. Na época a gente era um tanto resistente ao nome, achávamos meio ridículo, confundiam com banda de brega. Hoje em dia eu gosto e acho que reflete bem o nosso espírito, fico feliz de ter pensado nele.

Sobre a música Sistema Nervoso, lembro que participava da comunidade de vocês no Orkut e comentei que iria para o show para ver principalmente essa música e um dos fãs comentou que vocês não eram uma banda “one hit wonder”, havia algum medo de ser conhecido apenas por essa música?

Às vezes eu fico assustado com isso enquanto compositor, porque minha música que ficou mais famosa foi ‘Oops coloquei uma foto sua pelada na Internet’, que gravei com Os Gutembergs, outra banda que tive no Rio de Janeiro. Não que ela não funcione de certa forma como música-piada, mas está dentre as coisas mais idiotas que eu já escrevi, e é também a única música que fiz doidão na minha vida inteira. Ficou relativamente conhecida por ter sido tema do filme Cilada.Com. Mas enquanto banda, acho que isso nunca passou pelas nossas preocupações. Em primeiro lugar porque nenhuma música da Caravana ficou ‘conhecida’, estamos muito longe de atingir o número de pessoas que pretendemos. E o público tem outras canções preferidas no nosso repertório, não só Sistema Nervoso. O Romântico em Mim, Vou Embora para o México e Hino Vegetariano, por exemplo, são outras que o pessoal costuma pedir nos shows e cantar junto.

Quem ouve os dois EPs percebe uma sonoridade bem diferente entre um e outro, houve um amadurecimento musical na concepção de vocês ou foi uma questão de sons ouvidos durante a criação de cada um que deu um norte diferente para o resultado final?

Quando gravamos o Glamourosa Comédia Pop, em 2009, éramos muito inexperientes. Escolhemos um estúdio ruim, gastamos uma grana alta e o resultado ficou muito distante do que imaginávamos. Na época do Delirium Tremens já sacávamos muito mais da coisa, tanto da parte de arranjo como de gravação. Não gastamos quase nada, gravamos em homestudio e o som tem muito mais qualidade. Além disso, no segundo também exploramos bem mais estilos diferentes, que se deve ao fato de termos ampliado nossos horizontes musicais também.

Quem vem sempre procurando informações sobre vocês percebe que há uma grande circulação pelo meio independente, vocês poderiam nos apontar quais as principais dificuldades de circular fora do “grande circuito” da música?

Atualmente temos encontrado dificuldade para gravar nosso primeiro álbum de estúdio, um disco de estréia profissional mesmo. É muito caro, o preço de um carro, e hoje quase não existe mais iniciativa privada para lançar novos artistas independentes. Ou se tira do bolso ou se aprova um edital. Estamos correndo atrás da segunda opção... 

Pelo que vi já ganharam diversos prêmios nessa trajetória de 2007 para cá, mas de tudo o que aconteceu qual pode ser considerado o maior êxito ou maior realização para a banda?

Creio que ter o MySpace mais visitado do Brasil na semana de lançamento do Delirium Tremens e tocado junto com Wander Wildner foram as coisas que mais marcaram.

O nome “Delirium Tremens” que batiza o 2º EP é sintoma de um estágio avançado do vício em bebidas, é algo ligado a algum dos membros ou tem mais uma questão de conceito do EP por trás disso?

O Delirium Tremens é um dos delírios mais pesados que alguém pode ter, precisávamos reverenciá-lo de alguma forma em algum momento.

A minha música preferida do 2º EP é a bem humorada Hino Vegetariano, criticar com bom humor é a forma que acreditam ser mais fácil para atingir o público e informar ou apenas humor mesmo sem o intuito crítico?

É tudo muito espontâneo. Na verdade o processo de composição da banda é bem centralizado, as composições são todas minhas. O trabalho de arranjo e estruturação das músicas (bota um refrão a mais, um verso a menos, etc) é que feito em conjunto. Tenho o cuidado sempre de manter o apelo universal nas letras e escrever de forma clara para que todos possam se identificar à sua maneira. Mas no final das contas as canções falam sobre mim, que é a única coisa sobre a qual eu acredito ter propriedade para falar. Quando escrevi o Hino Vegetariano, por exemplo, eu estava sem comer carne há um ano, aquilo fazia parte do meu universo, fiquei brincando com as palavras e saiu. Demorei muito tempo com ela engavetada, inclusive, porque achava imbecil, tinha vergonha. Hoje, ironicamente, é uma das músicas que o nosso público mais gosta e é um grande trunfo na hora de tocar pra platéias desconhecidas, porque pega de primeira. O que quis dizer com isso tudo, na verdade, é que nunca tive nenhuma pretensão de criticar e muito menos informar. Até o próprio humor muitas vezes também não sai intencionalmente. Vou Embora para o México, por exemplo, na minha cabeça era uma música melancólica e muitas pessoas riem quando escutam. 

Para fechar a primeira entrevista aqui do blog, qual o conselho para aqueles que desejam montar uma banda e se aventurar no meio?

Não façam isso, já existem banda demais. 

Para quem se interessou, ficou curioso, ou gosta de novidade mesmo acessem aqui e me digam o que acharam do som deles.

Abração!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Boa educação


Aparentemente existe algo chamado boa educação, um padrão de comportamento capaz de fazer a pessoa entrar e sair de qualquer lugar sem causar constrangimento e sem se sentir constrangido. Coisas como cordialidade, bom atendimento, uso adequado das palavras e maneiras condizentes para cada ambiente frequentado. Bem, talvez exista isso de boa educação, mas temos que relativizar a definição da boa educação de fato, pois cada cultura, cada povo, tem um grupo de comportamentos esperados capazes de definirem se as ações de um indivíduo são aceitáveis ou não. Aqui em minha cidade mesmo o comportamento esperado de um motorista é a ultrapassagem de sinais vermelhos, assim como os pedestres passarem fora da faixa, mal educado é aquele que não joga latas de cerveja ou garrafas de água pela janela do ônibus e coisas nesse nível. São exceções que estão se tornando detestáveis regras para um grupo cada vez maior de indivíduos, uma nova coletividade quase. Mas de fato o que é ser bem educado? É mesmo respeitar os lugares onde o sujeito está naquele instante? Pois pelo que sei os artistas e pessoas que mudaram diversas situação são justamente aquelas justamente que não se adequam, não se enquadram. Quantas coisas boas, e ruins, não aconteceram devido aos mal-educados? Digo boas e ruins, pois canaletas entupidas são ruins, mas discordar do Sol girar em torno da Terra é bom. Então, existem maneiras de tornar a má educação uma boa saída, já chamaram de desobediência civil, marginalidade e outros adjetivos muito bons, tão bons quanto esses. Resta-nos pensar qual a base de comparação para chamarmos de boa ou má e em que situações determinamos se é realmente educação ou não.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Filme da semana - O Homem Duplo



O filme se passa em um futuro próximo onde toda a informação e os passos dos cidadãos são vigiados, porém sempre há quem consiga escapar e para isso existe a polícia com agentes disfarçados trabalhando para ver o que essas pessoas tanto fazem para precisarem se esconder dos métodos de rastreio. Acompanhamos a história de um policial tentando desvendar um esquema de tráfico de drogas, um novo tipo de tóxico consumido na cidade, porém seu método de infiltração aos poucos o leva a insanidade, a estados de pensamentos distantes da realidade o suficiente para esquecer seu propósito em certos momentos. O legal do filme, na minha concepção, são os diálogos dos personagens, tanto dos “caretas” quanto dos “malucões”, vemos os dois lados da disputa pela prevalência de uma ideologia.
Falando do aspecto visual o filme também muito me atraiu por usar uma técnica de animação misturando takes reais com vetorização de tudo, desde as personagens aos cenários, portanto toda a arte do filme ajuda ainda mais a entrada no mundo psicodélico, da atmosfera meio junkie e surreal do filme. As possibilidades de imagens são imensas e a forma como somos imersos no ambiente cyberpunk é fantástica. Não espera um filme linear, com diálogos rasos e muita ação, ele foge dessa estética, apesar de ter astros de peso do cinema hollywoodiano.
Abaixo tem um trailer oficial que catei no youtube só para dar um gostinho.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre a dúvida com Deus


A minha recomendação literária de hoje é algo relevante para quem costuma colocar o Deus judaico-cristão à prova, para quem tem certeza sobre quem ele é e seu modus operandi com os humanos esse livro não serve. É um livro escrito por José Saramago, falecido recentemente, e que trata de uma personagem repudiada na Bíblia, fala de Caim, nome que empresta ao livro. Aqui Saramago vai mostrar por onde andou esse filho desgarrado do Senhor, um fraticida condenado a não mais ter o livre convívio com os homens, segundo a tradição cristã claro, mas para nosso autor português ele na verdade foi o grande pecado de Deus, o calo do criador. Para quem conhece a Bíblia fica mais fácil reconhecer os episódios narrados no livro pela ótica do autor, é uma livre reinterpretação das escrituras, algo que a literatura permite e deve ser utilizado com força. Vemos um Caim arrependido pelo assassinato, mas dividindo uma parte da culpa com Deus, pois o criador sabia de tudo o que iria ocorrer e mesmo assim permitiu o fluir dos acontecimentos, um homem fiel ao deus judaico-cristão do princípio ao fim de seus dias é a marca da personagem principal do livro. Talvez Saramago quisesse passar para o homem como nosso deus, para quem crê nesse deus específico é claro, é cheio de falhas, ou as vezes faz escolhas nem sempre tão acertadas, reflexo do homem também, uma criatura cheia de dúvidas e incertezas procurando outro, ou algo, em que se apoiar e tornar mais leve a vida, algo praticamente impossível, pois fazer escolhas e arcar com o peso delas é permanecer tenso. Se olhar pelo viés religioso muitas das crenças que temos ficam cambaleantes, mas não vale ler esse livro sem ter um mínimo de conhecimento das Sagradas Escrituras cristã.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Puro


Nada melhor do que limpar-se, limpar o espírito fumando um, limpar os testículos dando uma ou tocando uma, nada melhor do que limpar a cabeça assistindo programação barata ou vendo filme blockbuster, nada melhor do que tirar o peso da cabeça e sentir-se um pouco mais leve, menos chato, menos crítico, limpar a uretra, o rabo sujo, a boca imunda, as mãos obscenas, nada melhor do que limpar, limpar e limpar, para depois sujar tudo de novo e deixar mais emporcalhado do que da primeira vez, pois sabemos nosso limite e queremos sempre passar por ele olhando para trás por sobre os ombros rindo de como achávamos distante nosso limite, até chegar no novo horizonte, e no novo horizonte, no novo horizonte, no novo sem fim. Imaginarmos que estamos limpos e podermos começar tudo outra vez. Como é bom nos iludirmos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Garotas Suecas




A banda que trago hoje para vocês é Garotas Suecas, não sei se já conhece, se já ouviu, mas deveria, o som puxa da Topicália, do rock 60, 70 e letras bem divertidas. É uma turma que começou recentemente na primeira década século XXI e são reflexo dela. Até agora são dois EPs e um Álbum, os dois primeiros são o Dinossauro e Difícil de Domar, comecei por ali, a primeira música ouvida se chama Acho que estou me tornando um zumbi, muito engraçada a letra falando da história de um cara virando um zumbi depois de levar uma mordida de uma garota, isso me despertou a atenção, fui catar na net material deles e descobri o outro EP e as outras músicas. De lá para cá acompanho o trabalho deles e vale a pena ouvir, as levadas hora bem rock com pegadas de guitarra bem fortes e autênticas, já outras músicas dá para reconhecer a Tropicália com muita força, o swing, os ritmos que vêm de fora do rock e outras coisas. Fizeram algumas turnês fora do país onde o som é apreciado claro. Ainda não vieram aqui para Recife, mas se vierem estarei lá. Por serem dessa nova geração trazem algo muito bom, o disco está gratuito para download no site oficial deles. Então não perca tempo e vá lá, baixe, escute e se divirta, abaixo deixo dois vídeos das músicas que mais gosto só para atiçar sua curiosidade de conhecer o trabalho deles.

Garotas Suecas - Bugalu

Garotas Suecas - Corina

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tempo e Viagem


Uma das coisas mais comuns em filmes de ficção é viagem no tempo. Assunto que sempre causa discussões controversas, pois existe o paradoxo do tempo básico: se realizo um ato no passado o futuro muda, e se muda cria uma realidade paralela ou altera a realidade que vivo? Exemplo clássico: se eu matasse Hitler haveria o Holocausto? Temos diversas posições quanto a isso e dentro dos filmes sempre vemos esse debate. Temos o caso Looper, o filme novo com Bruce Willys como protagonista, no filme ele é um assassino localizado no presente que mata mafiosos, criminosos ou outros Loopers enviados do futuro, em determinado momento ele deve “se matar”, daí o loop, o eu do presente deve detonar o eu do futuro, o que ocorre é o eu do futuro voltando com o intuito de consertar as coisas e esse conserto acontece com o eu do presente precisando morrer terminando com todo o ciclo de mortes que vinham ocorrendo. O filme Looper traz a visão de uma única linha do tempo ligada diretamente ao passado. Pegando por um outro viés temos o filme nacional O Homem do Futuro com Wagner Moura, onde ocorre justamente o contrário, cada retorno ao passado para aparar uma aresta gera uma nova realidade, acontecendo do filme concordar com a teoria do multiverso não havendo uma solução para a confusão que o primeiro retorno ao passado criou. Assim nunca teremos uma resposta com exatidão do que poderia ocorrer se viagens no tempo de fato existissem, apenas podemos escolher aquela que mais gostamos e torcer para que seja a correta.