quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Não te amo

Não te amo com o coração, na verdade nunca amei ninguém com o coração, não é exclusividade sua. Da mãe a você, passando por todos os parentes no meio disso, você não é a única a ser amada apenas com a cabeça. E com o estômago também, órgão muito mais sincero sobre amor. O frio dá na barriga, a gastrite é da ansiedade de saber do sim ou do não, a falta de fome é quando você vai embora e o vômito vem quando a notícia não é nada boa, assim como encho a barriga quando estou feliz e satisfeito ao seu lado.

Amo com a cabeça sim, amo com o intelecto, com o juízo, deixar o coração decidir é um erro, pois o coração é cego, e burro. Amo, a todo mundo que amo de verdade, com a cabeça, pois é uma escolha, não muito lógica, mas certeira e não prejudicial para nenhuma das partes. Pois amor pressupõe cuidado e atenção mútua, carinho e respeito, portanto o coração não pode ser capaz desse tipo de coisa. O coração é levado por paixões, fogos de artifícios, imagens sedutoras e toda sorte de propaganda é capaz de iludir o pobre coitado. A cabeça não, ela é capaz de passar por cima da ilusão, consegue saber onde o mágico faz o truque e até perceber quando o diabo quer sua alma.


Então amo com a cabeça, com todos os bilhões de neurônios do meu corpo, com a força do meu cérebro, com a potência de minha inteligência e com a profundidade de toda minha literatura. Amo com toda a capacidade cognitiva que possuo, pois só assim posso apreender o tamanho da beleza que é amar. E não é exclusividade sua eu amar assim, amo da mãe a você, passando por todos os parentes que amo, mas apenas você, a mãe, o pai, o irmão e alguns poucos contados nos dendritos me deixam com o estômago feliz.